segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Plantas Medicinais: Caju


Classificação científica
Reino: Plantae 
Filo: Tracheophyta
Classe: Magnoliopsida
Ordem: Sapindales 
Família: Anacardiaceae 
Género: Anacardium 
Espécie: A. occidentale 
Nome binomial
Anacardium occidentale


O caju é muitas vezes tido como o fruto do cajueiro (Anacardium occidentale) quando, na verdade, trata-se de um pseudofruto.
O que entendemos popularmente como "caju" se constitui de duas partes: o fruto propriamente dito, que é a castanha; e seu pedúnculo floral, o pseudofruto, um corpo piriforme, amarelo, rosado ou vermelho.
 Etimologia

Na língua tupi, acaiu (caju) significa noz que se produz.
Na tradução oral sabe-se que acayu ou aca-iu refere-se a ano, uma vez que os indígenas contavam a idade a cada floração e safra.
O caju, o pseudofruto, é suculento e rico em vitamina C e ferro. Depois do beneficiamento do caju preparam-se sucos, mel, doces, passas, rapaduras e cajuína. O seu suco fermenta rapidamente e pode ser destilado para produzir uma aguardente.
Muito antes do descobrimento do Brasil e antes da chegada dos portugueses, o caju já era alimento básico das populações autóctones. Por exemplo: os tremembé já fermentavam o suco do caju, o mocororó, que era e é bebido na cerimônia do Torém.
De suas fibras (resíduo/bagaço), ricas em aminoácidos e vitaminas, misturadas com temperos, é feita a "carne de caju".
Existe uma variedade enorme de pratos feitos com o caju e com a castanha de caju.
Fruto com pseudofruto.O fruto propriamente dito é duro e oleaginoso, mais conhecido como "castanha de caju", cuja semente é consumida depois do fruto ser assado, para remover a casca, ao natural, salgado ou assado com açúcar.
A extração da amêndoa da castanha de caju depois de seca, é um processo que exige tempo, método e mão-de-obra.
O método de extração da amêndoa da castanha de caju utilizado pelos indígenas era a sua torragem direta no fogo, para eliminar o "Líquido da Castanha de Caju" ou LCC; depois do esfriamento a quebra da casca para a retirar a amêndoa.
Com a industrialização este método possui mais etapas: lavagem e umidificação, cozimento, esfriamento, ruptura da casca, estufamento.
A amêndoa da castanha de caju é rica em fibras, proteínas, minerais (magnésio, ferro, potássio, selênio, cobre e zinco), vitaminas A, D, K, PP e principalmente a E, carboidratos, cálcio, fósforo, sódio e vários tipos de aminoácidos. Um destes aminoácidos é a arginina que, no metabolismo, transforma-se em óxido nítrico e este, por vez, alarga as artérias e diminui a pressão sanguínea. Desta forma a castanha do caju contribui no combate às doenças cardíacas.
A castanha-de-caju ainda verde (maturi) também pode ser usada nos pratos quentes.
Castanha de caju, foto por Silvio Tanaka.A castanha possui uma casca dupla contendo a toxina uruxiol (também encontrada na hera venenosa), um alergênico que irrita a pele. Por isso a castanha deve ter sua casca removida através de um processo que causa dolorosas rachaduras nas mãos. A castanha também possui ácido anacárdico, potente contra bactérias gram-positivas como Staphylococcus aureus e Streptococcus mutans, que provoca cáries dentárias.
O "Líquido da Castanha de Caju" ou LCC, depois de beneficiado é utilizado em resinas; materiais de fricção; em lonas de freio e o outros produtos derivados; vernizes; detergente industria; inseticida; fungicida e até biodiesel.

Do Brasil para a África e Ásia

Fruto nativo do Brasil, o caju foi levado pelos portugueses do Brasil para a Ásia e a África.A mais antiga descrição escrita do fruto é de André Thevet, em 1558, comparado este a um ovo de pata. Posteriormente, Maurício de Nassau protegeu os cajueiros por decreto, e fez o seu doce, em compotas, chegar às melhores mesas da Europa.
 Produção
Castanha do Caju
A castanha-de-caju é hoje um produto de base comum em todas as regiões com um clima suficientemente quente e úmido, repartindo-se por mais de 31 países, para uma produção anual, em 2006, de mais de três milhões de toneladas, segundo números da FAO(Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação). A área total de cultivo é de 33.900 km², para um rendimento médio de 916 kg/hectare.
Os cinco maiores produtores foram o Vietname (941.600 toneladas), a Nigéria (636.000 toneladas), a Índia (573.000 toneladas), o Brasil (236.140 toneladas) e a Indonésia (122.000 toneladas), responsáveis por mais de 80% da produção mundial. A Guiné-Bissau e Moçambique ocupam respectivamente o oitavo e nono lugar entre os maiores produtores mundiais.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Plantas Medicinais: Calêdula (botânica)


Características básicas

Pertencente à mesma família das margaridas - Asteraceae Compositae -, a calêndula (Calendula officinalis) é originária da Europa meridional e se relaciona intimamente com o sol. Curiosamente, essa flor abre suas pétalas assim que o sol nasce e as fecha na hora em que ele se vai. Aliás, seu nome é derivado de uma palavra latina - Calendae - que significa "primeiro dia de cada mês", de onde se derivou também a palavra calendário (que, sabe-se, é baseado no ciclo solar).
No Brasil, a calêndula adaptou-se facilmente, especialmente nas regiões Sul e Sudeste. Hoje, ela é cultivada tanto para fins ornamentais como para a fabricação de medicamentos e cosméticos. A flor, de coloração amarelo-alaranjada, caracteriza-se pelo inegável perfume e as folhas são macias e aveludadas. Planta anual, a calêndula pode atingir até 50 cm de altura e apresenta caules ramificados em duas hastes. As folhas inferiores são espatuladas e as caulinares são lanceoladas e alternadas.
Atualmente, as flores cultivadas sem agrotóxicos ou aditivos químicos são comercializadas para consumo em saladas ou acompanhando outros pratos.
Popularmente, ela é conhecida como mal-me-quer e é muito parecida com a margarida, só que tem um perfume característico que a identifica: o nome desta flor é calêndula.
Uso medicinal

Muito utilizada na industria farmacêutica.
Conta-se que na guerra civil americana, os médicos que atuavam nos campos de batalha utilizavam as flores e as folhas da calêndula para tratar os ferimentos dos soldados. Anos mais tarde, a ciência comprovou os efeitos que aqueles médicos conheceram na prática. Aqui no Brasil, inclusive, seu uso como fitoterápico é aprovado pelo Ministério da Saúde.
A partir da calêndula, a medicina homeopática produz remédios que são usados oralmente, inclusive em períodos pós-operatórios, justamente pelos poderes já citados. Na medicina popular, a planta é muito utilizada para tratar problemas uterinos e cólicas menstruais, estimular a atividade hepática e atenuar espasmos gástricos. É claro que devem ser evitados exageros ou abusos na aplicação de plantas em tratamentos. No caso da calêndula, é importante esclarecer que, em excesso, a planta pode provocar depressão, nervosismo, falta de apetite, náuseas e até vômitos.
 Uso cosmético

É na fabricação de cosméticos que a calêndula faz o seu reinado: os diversos princípios ativos da planta são responsáveis pelos eficientes efeitos no tratamento de pele e cabelos. A calendulina, por exemplo, um pigmento que dá a cor alaranjada às pétalas, presente em boas doses nas flores, juntamente com a resina e a mucilagem, são responsáveis pelos poderes regeneradores e cicatrizantes. Outros princípios engordam a lista de propriedades da calêndula, amplamente usada na fabricação de shampoos, loções, sabonetes e cremes. Aliás, ela é uma das bases mais utilizadas na fabricação de produtos indicados para cabelos oleosos e peles com cravos e espinhas.
Os medicamentos usados por via oral e as pomadas devem ser adquiridos em farmácias especializadas.
 Cultivo

Para cultivar calêndulas, você vai precisar de um elemento básico: luz do sol. A planta precisa de no mínimo 4 horas diárias de sol direto. A mistura de solo indicada para o plantio deve ser rica em matéria orgânica: 1 parte de terra comum de jardim, 1 parte de terra vegetal e 2 partes de composto orgânico. O ideal é adquirir as mudas já prontas, pois no plantio por meio de sementes o resultado é mais demorado. Lembre-se de regar a planta sempre que a terra apresentar-se seca - como a calêndula gosta de solo sempre úmido, é recomendável regar dia sim dia não e, nos meses mais quentes, todos os dias.
 Curiosidade

A calêndula é citada na música " Pagã " gravada e composta por Tânia Alves no álbum DONA DE MIM (1986)

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Plantas Medicinais: Cana-de-açúcar

A cana-de-açúcar é uma planta que pertence ao gênero Saccharum L.. Há pelo menos seis espécies do gênero, sendo a cana-de-açúcar cultivada um híbrido multiespecífico, recebendo a designação Saccharum spp. As espécies de cana-de-açúcar são provenientes do Sudeste Asiático. A planta é a principal matéria-prima para a fabricação do açúcar e álcool (etanol).
É uma planta da família Poaceae, representada pelo milho, sorgo, arroz e muitas outras gramas. As principais características dessa família são a forma da inflorescência (espiga), o crescimento do caule em colmos, e as folhas com lâminas de sílica em suas bordas e bainha aberta.
É uma das culturas agrícolas mais importantes do mundo tropical, gerando centenas de milhares de empregos diretos. É fonte de renda e desenvolvimento, embora nitidamente concentradora de renda. Na região de Ribeirão Preto, a principal zona produtora do Brasil, 98.228 pessoas tinham renda inferior a R$ 100 mensais até 2007.
A principal característica da indústria canavieira é a expansão por meio do latifúndio, resultado da alta concentração de terras nas mãos de poucos proprietários, mormente conseguida através da incorporação de pequenas propriedades, gerando por sua vez êxodo rural.
Geralmente, as plantações ocupam vastas áreas contíguas, isolando e/ou suprimindo as poucas reservas de matas restantes, estando muitas vezes ligadas ao desmatamento de nascentes ou sobre áreas de mananciais. Os problemas com as queimadas, praticadas anteriormente ao corte para a retirada das folhas secas, são uma constante nas reclamações de problemas respiratórios nas cidades circundadas por essa monocultura. Ademais, o retorno social da agroindústria como um todo, é mais pernicioso que benéfico para a maioria da população.
O setor sucroalcooleiro brasileiro despertou o interesse de diversos países, principalmente pelo baixo custo de produção de açúcar e álcool. Este último tem sido cada vez mais importado por nações de primeiro mundo, que visam reduzir a emissão de poluentes na atmosfera e a dependência de combustíveis fósseis. Todavia, o baixo custo é conseguido, por vezes, pelo emprego de mão-de-obra assalariada de baixíssima remuneração e em alguns casos há até seu uso com características de escravidão por dívida.
No Brasil, a agroindústria da cana-de-açúcar tem adotado políticas de preservação ambiental que são exemplos mundiais na agricultura, embora nessas políticas não estejam contemplados os problemas decorrentes da expansão acelerada sobre vastas regiões e o prejuízo decorrente da substituição da agricultura variada de pequenas propriedades pela monocultura. Já existem diversas usinas brasileiras que comercializam crédito de carbono, dada a eficiência ambiental.
As queimadas também têm diminuído devido ao aumento de denúncias e endurecimento da fiscalização, embora muitas dessas denúncias terminem sem uma penalização formal. Em cidades como Ribeirão Preto, Araraquara, Barretos, Franca, Jaboticabal e Ituverava, as multas e advertências a usinas e produtores que queimam seus canaviais cresceram 27% em 2009 em relação a 2008, segundo levantamento da Cetesb.

 Processamento da cana

A cana colhida é processada com a retirada do colmo (caule), que é esmagado, liberando o caldo que é concentrado por fervura, resultando no mel, a partir do qual o açúcar é cristalizado, tendo como subproduto o melaço ou mel final. O colmo é às vezes consumido in natura (mastigado), ou então usado para fazer caldo de cana e rapadura. O caldo também pode ser utilizado na produção de etanol, através de processo fermentativo, além de bebidas como cachaça ou rum e outras bebidas alcoólicas, enquanto as fibras, principais componentes do bagaço, podem ser usadas como matéria prima para produção de energia elétrica, através de queima e produção de vapor em caldeiras que tocam turbinas, e etanol, através de hidrólise enzimática ou por outros processos que transformam a celulose em açucares fermentáveis. Vide Etanol Celulósico).
Praticamente todos os resíduos da agroindústria canavieira são reaproveitados. A torta de filtro, formada pelo lodo advindo da clarificação do caldo e bagacilho, é muito rica em fósforo e é utilizada como adubo para a lavoura de cana-de-açúcar. A vinhaça, que é o subproduto da produção de álcool, contém elevados teores de potássio, água e outros nutrientes, sendo utilizada para irrigar e fertilizar o campo.

 Economia e história

Foi a base da economia do nordeste brasileiro, na época dos engenhos. A principal força de trabalho empregada foi a da mão-de-obra escravizada, primeiramente indígena e em seguida majoritariamente de origem africana. Os regimes de trabalho eram muito forçados em que esses trabalhadores, na ocasião da colheita, chegavam a trabalhar até 18 horas diárias, sendo utilizada até o final do século XIX. Com a mudança da economia brasileira para a monocultura do café, esses trabalhadores foram deslocados gradativamente dos engenhos para as grandes fazendas cafeeiras. Com o tempo, a economia dos engenhos entrou em decadência, sendo praticamente substituído pelas usinas (ver José Lins do Rego). O termo engenho hoje em dia é usado para as propriedades que plantam cana-de-açúcar e a vendem, para ser processada nas usinas e transformada em produtos derivados.
O Brasil é hoje o principal produtor de cana-de-açúcar do mundo. Seus produtos são largamente utilizados na produção de açúcar, álcool combustível e mais recentemente, biodiesel.
A cana-de-açúcar foi a base econômica de Cuba, quando tinha toda a sua produção com venda garantida para a União Soviética, a preços artificialmente altos. Com o colapso do regime socialista soviético, a produção de cana cubana tornou-se inviável.
A cana-de-açúcar também é o principal produto de exportação em países do Caribe como a Jamaica, Barbados, etc. Com a suspensão de preferências européias à cana caribenha em 2008, espera-se um colapso semelhante na indústria canavieira caribenha.
Vários países da África austral, principalmente a África do Sul, Moçambique e a ilha Maurício, são igualmente importantes produtores de açúcar.
Uma tonelada de cana-de-açúcar produz 80 litros de etanol sendo que um hectare de terra produz 88 toneladas de cana-de-açúcar, no total são produzidos 7040 litros de etanol por hectare.

 Condições de trabalho

A vida útil dos trabalhadores que atuam na colheita da cana é por vezes inferior à dos escravos que atuaram no Brail Colônia. Nas décadas de 1980 e 1990, o tempo em que o trabalhador do setor ficava na atividade era de quinze anos, enquanto a partir de 2000, já estará por volta de doze anos".
O setor tem empregado menos bóias-frias. Entre junho de 2007 e junho 2009, o total de boias-frias caiu 12,7%, segundo pesquisa da Unesp.
No interior do Estado de São Paulo, esses trabalhadores chegam a viajar 40 quilômetros para trabalhar nas lavouras. Os canaviais "são sempre infestados de cobras e a folha da cana corta como navalha" e um cortador chega a dar 10 mil golpes de facão.
Em relatório de 2008 da Anistia Internacional, os trabalhadores nas plantações de cana-de-açúcar no Brasil são citados como "explorados e submetidos a trabalhos forçados", constatação parecida, na mesma época, feita pelo The Guardian ao mencionar "condições similares à escravidão" nos canaviais brasileiros. O Ministério do Trabalho realizou entre 2005 e 2008, ações fiscalizadoras em canavais após denúncias de que alguns trabalhadores chegaram a morrer por suspeita de excesso de esforço nos canaviais paulistas. Em algumas ações deflagradas foram constatados pagamentos irregulares e falta de condições mínimas de trabalho, como falta de EPI, água e "barracas sanitárias".
Em março de 2007, 288 pessoas foram resgatas de usinas do Estado de São Paulo por constatação de trabalho forçado.
No ano de 2007, em Mato Grosso do Sul, 409 trabalhadores, 150 deles indígenas, foram libertados de uma usina de etanol.
A indústria canavieira preparou uma ofensiva contra essas acusações e à de que o cultivo da cana afetaria a oferta de alimentos. As críticas, para os usineiros, estão associadas à intenção de manter o vício mundial pelo petróleo.
Outro relatório, desta vez de 2010 e do Departamento de Estado americano, menciona que a produção de cana no Brasil está associada ao trabalho escravo, ao trabalho infantil e à repressão do movimento sindical.
O cultivo da cana também está associado ao desmatamento irregular. Somente em 2009, um projeto de lei passou a mencionar a proibição do corte de vegetação nativa para a expansão da cana e aplicação de multas em caso de constatação formal de irregularidades

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Plantas Medicinais: Lavanda

- Lavandula angustifolia
- Lavandula dentata
- Lavandula lanata
- Lavandula multifida
- Lavandula latifolia
- Lavandula stoechas
- Lavandula viridis
- Lavandula x intermedia
- Lavandula luisieri



As lavandas (populamente conhecidas como alfazemas) são plantas do gênero Lavandula, filo Magnoliophyta, da família Lamiaceae. São pequenos arbustos, perenes, incluindo também as anuais e os subarbustos. O nome é mais frequentemente usado para as espécies do gênero que crescem como ervas e para ornamentação. Destas as mais comuns são a lavanda inglesa e a Lavandula angustifolia (L. officinalis). As espécies ornamentais geralmente são as L. stoechas, L. dentata, e a L. multifida.
As lavandas crescem em jardins. Suas flores são usadas para arranjos florais secos. As flores púrpuras e os brotos, de fragrância suave, são utilizados em potpourris. Secados e embalados em pequenos saquinhos de tecido de algodão são utilizados para serem colocados entre as roupas do armário para dar-lhes uma fragrância fresca e agradadável, e também para impedir a presença de insetos e parasitas. O cultivo comercial da planta é para a extração de óleos das flores, caules e plantas, que são utilizados como anti-sépticos, em aromaterapia e na indústria de cosméticos. Como produto terapêutico, em infusão, deve ser evitado o uso contínuo, podendo produzir excitação em dose tóxica.
O óleo essencial da lavanda (do latim "lavare", "lavar") já era utilizado pelos romanos para lavar roupa, tomar banho, aromatizar ambientes e como produto curativo (indicado para insônia, calmante, relaxante, dores, etc.). O óleo é obtido da destilação das flores, caules e folhas da espécie Lavandula officinalis. Entre várias substâncias, o óleo apresenta na sua composição o linalol e o acetato de linalila, que conferem a sua fragrância e, ainda, resina, saponina, taninos cumarinas.
As flores de lavanda produzem um néctar abundante que rende um mel de alta qualidade produzida pelas abelhas. O mel da variedade lavanda foi produzido inicialmente nos paises que cercam o Mediterrâneo, e introduzido no mercado mundial como um produto de qualidade superior. As flores da lavanda podem ser utilizadas como decoração de bolos. A lavanda também é usado como erva isoladamente ou como ingrediente da erva da Provence (França).
Lavandas nativas são encontradas nas Ilhas Canárias, norte e oeste da África, sul da Europa e no Mediterrâneo, Arábia e Índia.
Os maiores produtores de lavanda são a Bulgária, França, Grã-Bretanha, Austrália e Rússia.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Plantas Medicinais: Alecrim

O alecrim (Rosmarinus officinalis) é um arbusto comum na região do Mediterrâneo ocorrendo dos 0 a 1500 m de altitude, preferencialmente em solos de origem calcária. Devido ao seu aroma característico, os romanos designavam-no como rosmarinus, que em latim significa orvalho do mar.
Como qualquer outro nome vernáculo, o nome alecrim é por vezes usado para referir outras espécies, nomeadamente o rosmaninho, que possui exactamente o étimo rosmarinus. No entanto estas espécies de plantas, alecrim e rosmaninho, pertencem a dois géneros distintos, Rosmarinus e Lavandula, respectivamente, e as suas morfologias denotam diferenças entre as duas espécies, em particular, a forma, coloração e inserção da flor.


 Descrição

Arbusto muito ramificado, sempre verde, com hastes lenhosas, folhas pequenas e finas, opostas, lanceoladas. A parte inferior das folhas é de cor verde-acinzentada, enquanto a superior é quase prateada. As flores reúnem-se em espiguilhas terminais e são de cor azul ou esbranquiçada. O fruto é um aquênio. Floresce quase todo o ano e não necessita de cuidados especiais nos jardins.
Toda a planta exala um aroma forte e agradável. Utilizada com fins culinários, medicinais, religiosos, a sua essência também é utilizada em perfumaria, como por exemplo, na produção da água-de-colônia, pois contém tanino, óleo essencial, pineno, cânfora e outros princípios ativos que lhe conferem propriedades excitantes, tônicas e estimulantes
A sua flor é muita apreciada pelas abelhas produzindo assim um mel de extrema qualidade. Há quem plante alecrim perto de apiários, para influenciar o sabor do mel.

 Cultivo

 Devido à sua atractividade estética e razoável tolerância à seca, é utilizado em arquitectura paisagísta, especialmente em áreas com clima mediterrânico. É considerada fácil de cultivar para jardineiros principiantes, tendo uma boa tolerância a pragas.
O alecrim é facilmente podado em diferentes formas e tem sido utilizado em topiária. Quando cultivado em vasos, deverá ser mantido de preferência aparado, de forma a evitar o crescimento excessivo e a perda de folhas nos seus ramos interiores e inferiores, o que poderá torná-lo um arbusto sem forma e rebelde. Apesar disso, quando cultivado em jardim, o alecrim pode crescer até um tamanho considerável e continuar uma planta atraente.
Pode ser propagado a partir de uma planta já existente, através do corte de um ramo novo com cerca de 10–15 cm, retirando algumas folhas da base e plantando directamente no solo.
Várias variedades cultivares foram seleccionadas para uso em jardim. As seguintes são frequentes:

    * Albus - flores brancas
    * Arp - folhas verde-claro, fragrância a limão
    * Aureus - folhas com pintas amarelas
    * Benenden Blue - folhas estreitas, verde-azulado-escuro
    * Blue Boy - anã, folhas pequenas
    * Golden Rain - folhas verdes, com raios amarelos
    * Irene - ramagem laxa, rastejante
    * Lockwood de Forest - selecção procumbente (rastejante) de Tuscan Blue
    * Ken Taylor - arbustiva
    * Majorica Pink - flores cor-de-rosa
    * Miss Jessop's Upright - alta, erecta
    * Pinkie - flores cor-de-rosa
    * Prostratus
    * Pyramidalis (também conhecida como Erectus) - flores azul-pálido
    * Roseus - flores cor-de-rosa
    * Salem - flores azul-pálido, resitente ao frio e semelhante à Arp
    * Severn Sea - baixa, espalhando-se e enraizando-se pelo solo, com ramos em arco; flores violeta profundo
    * Tuscan Blue - erecta

 Utilização culinária

Fresco (preferencialmente) ou seco, é apreciado na preparação de aves, caça, carne de porco, salsichas, lingüiças e batatas assadas. Na Itália é utilizado em assados de carneiro, cabrito e vitela. Em churrascos, recomenda-se espalhar um bom punhado sobre as brasas do carvão aceso, perfumando a carne e difundindo um agradável odor no ambiente. Pode ser utilizado ainda em sopas e molhos.

 Aplicações medicinais
A medicina popular recomenda o alecrim como um estimulante às pessoas atacadas de debilidade, sendo empregado também para combater as febres intermitentes e a febre tifóide.
Uma tosse pertinaz desaparecerá com infusões de alecrim, que também se recomendam a todas as pessoas cujo estômago seja preguiçoso para digerir.
Também apresenta propriedades carminativas, emenagogas, desinfectantes e aromáticas. E' ainda relaxante muscular, ativador da memoria e fortalece os musculos do coracao. Cientistas dizem que ramos de alecrim deveriam ser dependurados em oficinas e areas onde crianças fazem tarefas escolares para um melhor funcionamento da memoria.
Uma infusão de alecrim faz-se com 4 gramas de folhas por uma chávena de água a ferver. Toma-se depois das refeições.

Utilização religiosa


Em templos e igrejas, o alecrim é queimado como incenso desde a antigüidade. Na Igreja Ortodoxa grega, o seu óleo é utilizado até aos nossos dias, para unção. Nos cultos de religiões afro, como umbanda e candomblé, é utilizado em banhos e como incenso.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Plantas Medicinais: Agrimonia eupatoria


Classificação científica


Reino: Plantae
 
Sub-reino: Tracheobionta
 
Divisão: Magnoliophyta (Angiosperma)
 
Classe: Magnoliopsida (dicotiledónea)
 
Subclasse: Rosidae
 
Ordem: Rosales
 
Família: Rosaceae
 
Género: Agrimonia
 
Espécie: A. eupatoria
  
Nome binomial: Agrimonia eupatoria


A Agrimonia eupatoria é a espécie mais comum de agrimônia. É uma rosácea que habita as regiões temperadas do hemisfério norte; têm folhas compostas penadas, flores amarelas, e frutos ásperos. Normalmente atinge entre 30 cm e 1,20 cm.

 Constituintes

A agrimônia contem um óleo particular volátil, que pode ser obtido através de destilação, e compostos ásperos e amargos, que dão essa propriedade à planta. Possui também 5% de tanino.

 Etmologia

Seu nome vem do grego argemonia, que significa "planta que cura os olhos", passando pelo latim agrimonia.

 Uso medicinal

A presença de tanino faz da agrimônia útil para gargarejos e como astringente para úlceras e feridas. É, ainda, famosa por curar icterícia e outros males do fígado. Segundo a medicina tradicional, em especial na cultura anglo-saxônica, a agrimônia possui a propriedade de ajudar no sono e evitar pesadelos.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Plantas Medicinais: Abuta Grandifolia


Abuta grandifolia

Abuta grandifolia , esta planta faz diversos medicamentos como os: analgésico, antibacterial, anticonvulsivo, anti-inflamatório, antileucêmico, antimalária, anti-séptico, antiespasmódico, antitumor, aperiente, carminativa, citotóxico, diurético, emenagogo, expectorante, febrífugo, hepatoprotetor, hipotensor, insetícvaro, piscicidal, purgativo, estimulante, estomático, tônico.
Também é conhecido bem por : abutua-verdadeira, buta, caapeba (não confundir com a verdadeira), panibaga, parreira-brava-da-praia, parreira-branca, orelha-de-onça, abuta preta, uva-do-mato, abutua-do-Amazonas, baga-da-praia, uva-do-rio-apa, jaboticaba-de-cipó; barbasco, imchich masha, butua, gasing-gasing.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Plantas Medicinais: Babosa

Babosa

A Aloe vera , conhecida popularmente no Brasil como babosa e em Portugal como aloés, é uma espécie de planta do género Aloe, nativa do norte de África. Encontram-se catalogadas mais de 200 espécies de Aloe. Deste universo, apenas 4 espécies são seguras para uso em seres humanos, dentre as quais destacam-se a Aloe arborensis e a Aloe barbadensis Miller, sendo esta última reconhecida como a espécie de maior concentração de nutrientes no gel da folha.
Pela Legislação Brasileira somente cosméticos e medicamentos fitoterápicos podem ser fabricados industrialmente a partir da planta. Alimentos, como suco e isotônico vendidos em outros países, não estão autorizados a serem produzidos devido à falta de pesquisas relacionadas a segurança alimentar.Aloe vera (do latim vera, "verdadeira") ou aloés tem um aspecto de um cacto de cor verde, mas este pertence à família dos lírios. Esta planta por dentro tem um líquido viscoso e macio.
A Aloe vera floresce no começo da primavera, geralmente com flores de um amarelo vivo em uma longa haste que se projeta para fora do centro da roseta. Suas flores são, ocasionalmente, de cor laranja ou vermelha. Em uma planta já desenvolvida, a haste se eleva, geralmente, de 60 a 90 centímetros acima da extremidade das folhas. Como suas folhas são suculentas, elas estão cheias de uma substância gelatinosa que pode ser extraída e então engarrafada ou incorporada em vários produtos.

 A Aloe Vera tem folhas espinhosas de cor verde, com o formato de lanças que crescem numa formação de roseta (tal qual pétalas de rosa). Suas folhas frequentemente crescem até 75 cm e podem chegar a pesar de 1,4 a 2,3 kg cada uma.
A Aloe Vera é uma planta originária de regiões desérticas. Por causa do meio hostil em que se desenvolve, ela adquiriu inúmeras capacidades para sobreviver onde muito poucas espécies vegetais conseguem. Além de crescer no deserto ela também só é encontrada em certas zonas tropicais do mundo e por esta razão não é muito conhecida em regiões de climas frios.
O Aloe vera é uma planta utilizada para diversos fins medicinais há muitos anos. Geralmente é utilizada para problemas relacionados com a pele (acne, queimaduras, psoríase, hanseníase, etc). Pesquisadores encontraram relatos do uso desta planta entre civilizações antigas como os egípcios, gregos, chineses, macedônios, japoneses e mesmo citações na Bíblia deixam claro que era comum o uso desta planta na antiguidade.
É um poderoso regenerador e antioxidante natural. A esta planta são reconhecidas propriedades antibacteriana, cicatrizante, capacidade de reidratar o tecido capilar ou dérmico danificado por uma queimadura, entre outras.
A babosa aplicada sobre uma queimadura ajuda rapidamente a retirar a dor, pelo seu efeito reidratante e calmante. Pelo mesmo efeito reidratante lentamente irá reparando o tecido queimado, curando desta forma a queimadura.A Babosa tem poder de reter água para se manter o tempo todo bem hidratada, mesmo sob o calor produzido pelo sol escaldante do deserto.
Aloe vera é um excelente nutriente, com importantes proteínas, vitaminas e sais minerais. Com sua constituição química permite a penetraçao na pele e assim levar importantes nutrientes para as células vivas.
Contém várias enzimas cujas atividades não são totalmente compreendidas
    * A Aloe Vera também pode ser utilizada para regular o trânsito intestinal, sendo muito utilizada para casos de intestino preso e baixa absorção de nutrientes.


 Referências à Aloe Vera

    * A Aloe Vera, é tida por historiadores como o grande segredo de beleza utilizado por Cleópatra, no antigo Egito. Ela se utilizava de suas propriedades para tratar sua pele que encantava a todos. A Babosa era transportada pelos soldados de Alexandre, o Grande, como medicamento de primeiros socorros para curar ferimentos, abreviando sua cicatrização.
    * Os chineses da antiguidade faziam uso da Aloe Vera como medicamento, isso há 6.000 anos.
    * Há 2.000 anos atrás, o médico grego Penadius Discorides enumerou os usos da Aloe Vera como produto para o tratamento interno e externo como cuidar da pele, tratamento de queimaduras, manchas, perda de cabelo, indisposição estomacal.
    * A Aloe Vera foi administrada como medicamento aos marinheiros de Cristóvão Colombo, e depois largamente utilizada por missionários no Novo Mundo descoberto por ele.
    * A Aloe Vera também era largamente utilizada por antigas tribos do México e América Central e do Sul para tratar do cabelo, pele, couro cabeludo e problemas de estômago.
    * As tribos dos índios Seminole, que povoavam parte dos Estados Unidos e hoje vivem na Flórida, Oklahoma e Arkansas, utilizavam a Aloe Vera para cobrir as incisões cirúrgicas e ferimentos das batalhas.
    * A Comissão de Energia Atômica dos EUA usou o Gel de Aloe Vera no tratamento de queimaduras provocadas por raio-X.
    * Na bíblia, ela é chamada de "árvore perfumada" e "resina perfumada". Ela é usada, misturada com mirra e trazida por Nicodemos para embalsamar Jesus.


 A babosa e sua comercialização

Presentemente é comum encontrar produtos de venda livre em farmácias, drogarias, supermercados ou até em detergentes ou em xampus e condicionadores. Cientistas do mundo inteiro comprovam a veracidade das propriedades curativas da Aloe Vera. Com um livro intitulado "O Câncer tem Cura", o Frei Romano Zago advoga que a planta seria uma poderosa arma contra o câncer, diabetes e muitas outras doenças. Existem muitos casos de pessoas que completamente curados do câncer com o uso da planta. Médicos como Dr. Ivan Danhof, Dr. Faith Strickland, Dr. S. Sutherland, Dr. Roger Stockton, Dr. Wendell Winters, Dr. Rana Singh, Dr. Ian R. Tizard (em animais), Dr. G. Lawrence Plaskett e Dr. John Finnegan comprovaram a eficácia da Aloe Vera como tratamento adicional em pacientes com a doença, principalmente no que diz respeito ao combate das reações da radioterapia e da quimioterapia.[4] Inúmeras e renomadas instituições científicas e docentes ao redor do mundo, como o Instituto de Ciências e Medicina Linus Pauling, de Palo Alto, Califórnia; Instituto Weisman de Israel; Universidade de Oklahoma; e outros têm efetuado estudos formais sobre a Aloe Vera. Apoiados por provas de laboratório e experiências químicas, eles mencionam as diversas propriedades da planta. Segundo esses estudos, a Aloe Vera possui a capacidade de curar inúmeras doenças, tais como: Câncer, Tuberculose, Diabetes, Hipertensão, Ulcera, Gastrite, Esofagite, Azia, Refluxo, Asma, Bronquite, Artrose, Osteoporose, Sinusites, Otites, Alergias, Acnes, Celulites, Estrias, Rugas, Cicatrizes, Úlceras de Pressão, Úlceras Varicosas, Úlceras Venosas, Pé-Diabético, Queimaduras, Feridas Lacerativas, Prisão de Ventre, Obesidade, Queima de Gordura Localizada, Problemas Renais, Digestivos, além de muitas outras...

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Plantas Medicinais: Erva-Cidreira


 Erva-cidreira (Melissa officinalis), é uma planta perene herbácea da família da menta e da hortelã (Lamiaceae), nativa da Europa meridional. O seu sabor e aroma característicos, frutado, de limão, principalmente nas folhas, deriva do seu óleo essencial do grupo dos terpenos (principalmente monoterpenos: carvacrol, p-cimeno, citral - geraniol e nerol - cânfora, etc). É também designada de melissa.
As folhas são maiores e mais claras que as da hortelã, ovadas a romboidais ou oblongas e com a margem crenada.
Floresce no final do Verão. As flores são de pequenas dimensões, de cor esbranquiçada ou róseas e atraem especialmente as abelhas, como se indica já no nome do seu género botânico (Melissa provém do grego e significa "abelha"). Nas regiões temperadas, os caules secam durante o Inverno, voltando a reverdecer na primavera. Os frutos são aquénios oblongos, de cor parda e lisos.
É uma planta muito utilizada na medicina tradicional, como erva aromática e em aromaterapia. É utilizada como antiespasmódica, antinevrálgica e como calmante. Acredita-se que ajude a conciliar o sono.
A Melissa officinalis é largamente confundida com a popularmente chamada erva cidreira de folha (Lippia alba), que possui flores lilases e amareladas em logos galhos quebradiços, mas que não possui as mesmas propriedades medicinais que a Melissa officinalis.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Plantas medicinais: Açafrão


O açafrão é extraído dos estigmas de flores de uma variedade de Crocus sativus, uma planta da família das Iridáceas. É utilizado desde a Antiguidade como especiaria, principalmente na culinária mediterrânica, região de onde a variedade é originária, normalmente em risotos, caldos e massas. Na Espanha, é item essencial à paella.
É, atualmente, a especiaria mais cara do mundo, uma vez que para a preparação de um quilo são processadas manualmente cerca de 100 mil flores da planta, para a retirada de seus estigmas.
No Brasil, pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina estão a pesquisar o uso de nanocápsulas com o princípio ativo do açafrão para o tratamento do câncer de pele.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Plantas Medicinais: Funcho

 Descrição

O funcho é uma planta herbácea perene, de caules erectos múltiplos, com até dois metros de altura (mas em geral com menos de 80 centímetros), de cor verde intenso, por vezes glauco, tornando-se azulada quando em locais expostos à secura e a intensa radiação solar.
As folhas são longas (até 40 cm) e delgadas, finamente dissecadas, terminando em segmentos filiformes a aciculares (com cerca de 0,5 mm de diâmetro), muito flexíveis, mas que, quando expostos à secura, endurecem exteriormente para evitar a perda de água.
Produz inflorescências terminais compostas, umbeliformes, com 5 a 15 cm de diâmetro, contendo 20 a 50 flores pediceladas inseridas num único ponto do ápice da inflorescência, sobre pedúnculos curtos. As flores são minúsculas têm de 2 a 5 mm de diâmetro, amarelo a amarelo-esverdeadas.
O fruto é uma semente seca, fortemente aromática, ovóide, de 4 a 9 mm de comprimento e 2 a 4 mm de largura, achatada e com entalhes longitudinais simétricos em ambos os lados.
A raiz é rizomatosa, esbranquiçada e muito suculenta, armazenado grande quantidade de água.
O cheiro e sabor característicos (em geral designados por "anis" ou "erva-doce") resultam da presença de anetol, um composto fortemente aromatizante.

 Espécies associadas

Detalhes morfológicos do funcho (da edição de 1887 do Koehler's Medicinal-plants).A maioria dos botânicos tende a considerar o Foeniculum vulgare como a única espécie legítima do género, considerando as outras espécies descritas como meras formas. Assim, apesar das grandes diferenças morfológicas, de teor em óleos essenciais e de sabor e cheiro, as espécies antes descritas neste género parecem ser meras subespécies ou variedades de F. vulgare.
Dadas a presenças de óleos essenciais, a planta é muito resistente ao ataque de insectos herbívoros, sendo contudo hospedeira de alguns lepidópteros especificamente adaptados às suas características bioquímicas, incluindo formas larvais da Amphipyra tragopoginis e da Papilio zelicaon (que apenas se alimentam de umbelíferas.
Dado o seu cheiro a anis, a planta é por vezes confundida com a Pimpinella anisum (o anis), uma espécie aparentada, mas muito diferente.


Cultura e utilização


É frequentemente utilizada em pequenas quantidades na cozinha mediterrânica como planta aromatizante, particularmente os das variedades menos ricas em óleos essenciais, serem consumidos em fresco como parte de saladas.
Pode também ser incorporado em sopas, em particular sopas destinadas a serem consumidas frias. Um dos pratos típicos dos Açores é uma sopa de feijão e inhame com folhas e caules tenros de funcho.
É frequente o seu uso como aromatizante em molhos, conservas de vegetais, curtumes e outros preparados semelhantes. Usada em baixas concentrações dá um aroma e sabor discretos, semelhante ao mentolado, mas bastante mais suave e doce.
As sementes secas são utilizadas em chás e tisanas e como aromatizante em licores e bebidas alcoólicas destiladas (como a aquavit).
Na Índia e China as sementes moídas são utilizadas para a produção de condimentos e especiarias, recebendo a designação de saunf ou moti saunf.
As suas raízes são consideradas como tendo propriedades diuréticas, sendo por esta razão comercializadas pelas ervanárias. O chá de semente de funcho é utilizado para reduzir os gases intestinais, incluindo na primeira infância e em crianças lactentes.
O anetol, o composto que lhe dá o cheiro e sabor característicos, é considerado estimulante das funções digestivas e carminativo, podendo ter propriedades coleríticas.
Em concentrações elevadas os óleos essenciais do funcho apresentam actividade insecticida, apresentando actividade neurotóxica. Este óleo faz parte da farmacopeia europeia.
Em perfumaria os óleos essenciais do funcho são utilizados para perfumar pastas dentífricas, champôs e sabonetes.

Variedades e cultivares
Pelas suas características aromáticas e pelos usos medicinais do anetol, o funcho tem sido utilizado desde a antiguidade, sendo já cultivado no Antigo Egipto.
Na Grécia Antiga era designado por μάραθον (marathon), estando na origem do nome Maratona (que afinal, em português seria Funchal), o local da mítica batalha de Maratona travada em 490 a.C. entre gregos e persas. A mitologia grega diz que Prometeu usou um talo de funcho para roubar fogo dos deuses.
Existem múltiplas variedades cultivadas, a maior parte das quais seleccionadas pela doçura e baixa concentração de anetol, o que permite o consumo em saladas.
Outros cultivares são seleccionados para a obtenção de grandes concentrações de óleos essenciais, sendo utilizados para perfumaria e para a produção de condimentos.
Uma variedade de funcho, originária da Macaronésia e designada por F. vulgare azoricum (Mill.) Thell., caracterizada por caules mais suculentos e doces e menor concentração de óleos essenciais, o que os torna facilmente comestível em fresco, é hoje comercializada com a designação varietal de Florence. Esta forma da planta é espontânea nos Açores e na Madeira. A sua abundância está na origem do nome da cidade do Funchal, a actual capital madeirense.